segunda-feira, 25 de maio de 2026

ULS M TEJO/Unidade Hospitalar Torres Novas: CRI de Cirurgia de Ambulatório

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CRI de Cirurgia de Ambulatório reforça aposta numa cirurgia mais eficiente, segura e centrada no doente

O Centro de Responsabilidade Integrada de Cirurgia de Ambulatório (CRI Amb) da Unidade Local de Saúde do ULS Médio Tejo foi formalmente criado em outubro de 2024 com uma missão clara: reorganizar e qualificar todo o percurso perioperatório da cirurgia de ambulatório, colocando o doente no centro do processo assistencial e promovendo uma resposta mais eficiente, autónoma e sustentável.

Mais do que uma renovação organizacional, o CRI Amb foi concebido para garantir que a experiência de cirurgia de ambulatório seja padronizada e uniforme para todos os utentes, independentemente da patologia ou da cirurgia proposta e com melhor articulação entre as especialidades. O foco central é assegurar que o doente se sinta verdadeiramente num ambiente de ambulatório, com circuitos autónomos e equipas dedicadas que evitam qualquer contacto com a complexidade do internamento hospitalar convencional.

Ao integrar todas as etapas – da admissão ao pós-alta – num centro funcional independente, o projeto promove um “verdadeiro ambulatório”, onde a segurança e a eficiência clínica eliminam a necessidade de hospitalização tradicional e proporcionam uma jornada mais ágil e centrada no bem-estar do doente.

O principal objetivo passava pela reativação de programas autónomos de cirurgia de ambulatório, com circuitos independentes e instalações próprias nas duas Unidades de Cirurgia de Ambulatório (UCA): Tomar e Torres Novas.

Numa primeira fase, a prioridade incidiu sobre a UCA de Tomar, ficando prevista numa segunda etapa a consolidação da UCA de Torres Novas, após adaptação e reestruturação do Bloco Operatório Central daquela unidade.

2025: consolidação da atividade e reorganização dos circuitos

O ano de 2025 marcou a consolidação do primeiro grande objetivo do projeto: garantir a utilização contínua e partilhada da UCA de Tomar pelas várias especialidades cirúrgicas.

Esta reorganização permitiu reforçar programas puros de ambulatório em especialidades como Cirurgia Geral e Urologia, bem como mobilizar as várias equipas cirúrgicas para a transferência da atividade ambulatória para a UCA de Tomar, anteriormente subaproveitada.

Atualmente, na Unidade de Tomar, a realização de cirurgia ambulatória fora do circuito independente — isto é, em enfermaria convencional – tornou-se residual. Em Torres Novas, esse circuito independente já se encontrava assegurado.

Os resultados são evidentes. Comparando com o período homólogo anterior à implementação do CRI Amb, a realização de cirurgia ambulatória em circuito independente passou de uma média 23,1 para 32,1 na Cirurgia Geral, de 2,4 cirurgias para 10,4 na Intervenção na Dor, de 1,8 para 8,4 cirurgias por mês na Urologia, e para 7,9 na Otorrinolaringologia, confirmando o aumento da capacidade de resposta cirúrgica.

Estes resultados traduzem-se não apenas em ganhos de produtividade e eficiência da própria cirurgia de ambulatório, mas também numa maior capacidade de resposta do internamento para situações clínicas mais complexas, reduzindo a pressão sobre o serviço de urgência e libertando camas para doentes que aguardam internamento.

Implementação da Jornada Perioperatória digital

No segundo semestre de 2025 iniciou-se a implementação da Jornada Peri-operatória em parceria com a UpHill, um sistema digital integrável e automatizado para o circuito perioperatório, concebido para aumentar a produtividade, racionalizar recursos e otimizar o funcionamento do bloco operatório e do seguimento pós-alta.

A solução permite automatizar processos, melhorar a comunicação com o doente e criar bases sólidas para a introdução de uma gestão orientada por resultados em saúde, segundo o modelo de Value Based Health Care (VBHC).

Embora ainda em fase de implementação, os primeiros resultados já demonstram impacto positivo. Numa amostra inicial de 340 doentes, os PROM (Patient Related Outcomes Measures), que avaliam o estado de saúde percecionado pelos próprios doentes antes e após a cirurgia, passaram de 70,92 no momento inicial para 76,86 no pós-operatório.

Também os PREM (Patient Related Experience Measures), que medem a experiência do doente ao longo da jornada assistencial, revelaram uma mediana global de satisfação de 4,58 em 5.

Estas métricas reforçam uma nova leitura da cirurgia de ambulatório: não apenas centrada no volume de produção, mas também na qualidade da resposta prestada e na percepção real dos utentes.

Uma equipa multidisciplinar que tornou possível a mudança

O sucesso deste modelo assentou no forte compromisso de uma equipa multiprofissional dedicada e altamente adaptável.

O CRI Amb integra 32 enfermeiros e 16 assistentes técnicos auxiliares de saúde, para além do envolvimento direto das especialidades cirúrgicas, anestesiologia e equipa da consulta externa.

Ao longo de 2025, esta equipa garantiu a realização de 1.446 programas operatórios: 821 programas puros de ambulatório (57%), 406 programas de internamento (28%) e 219 programas mistos (15%).

A capacidade de adaptação das equipas permitiu uma mudança significativa da cultura organizacional, reorganizando programas cirúrgicos, consolidando programas puros de ambulatório e aumentando a qualidade da resposta assistencial.

Parcerias com especialidades e acesso a incentivos

O modelo de parceria do CRI Amb foi também desenhado para permitir às especialidades cirúrgicas que realizam atividade adicional no âmbito do projeto o acesso ao sistema de incentivos associado ao desempenho. Essa parceria formaliza a integração da especialidade neste modelo organizacional e define a forma de acesso aos incentivos financeiros.

No entanto, importa sublinhar que os novos circuitos, processos e ganhos de eficiência beneficiam todos os doentes propostos para cirurgia ambulatória neste circuito, independentemente de a especialidade proponente ter ou não parceria formal com o CRI Amb. Ou seja, o benefício assistencial é transversal e universal, refletindo-se diretamente na experiência do doente e na capacidade de resposta hospitalar.

Resultados institucionais, reforço estratégico para 2026 e desenvolvimento futuro

O desempenho da Cirurgia Geral na ambulatorização dos procedimentos tendencialmente ambulatorizáveis permitiu o cumprimento do objetivo institucional definido no Contrato Programa da ULS Médio Tejo, assegurando a atribuição da verba de incentivo institucional. A nível institucional, este indicador passou de 4,42% em 2023 para 35,75% em 2025, refletindo a transformação estrutural promovida pelo CRI Amb e o impacto da reorganização dos circuitos assistenciais.

O segundo grande objetivo do projeto passa agora pela remodelação do Bloco Operatório de Torres Novas, permitindo a sua transformação numa verdadeira Unidade de Cirurgia de Ambulatório independente e plenamente preparada para responder às exigências da cirurgia ambulatória moderna.

Após as obras previstas para este ano, Torres Novas passará a dispor de duas salas operatórias modernas, com capacidade de pernoita na própria unidade e acompanhamento dedicado pela equipa multiprofissional e pela anestesiologia, reforçando significativamente a capacidade assistencial e a autonomia do circuito ambulatório.

A UCA de Tomar ficará maioritariamente vocacionada para Oftalmologia, ORL e Intervenção na Dor.

Paralelamente, continuará a consolidação da Jornada Peri-operatória UpHill, o aprofundamento da metodologia de Value Based Health Care e a monitorização de novos indicadores de qualidade e segurança, permitindo uma avaliação cada vez mais robusta dos resultados clínicos, da experiência do doente e da sustentabilidade organizacional.

Neste contexto, foi já assinado o Contrato Programa para 2026, reforçando a estratégia institucional de aposta no desenvolvimento da cirurgia de ambulatório e consolidando o CRI Amb como uma prioridade estratégica da ULS Médio Tejo.

O CRI Amb afirma-se, assim, como um projeto de transformação profunda, que não apenas reorganiza circuitos, mas redefine a forma como se faz cirurgia de ambulatório: com mais eficiência, mais qualidade, maior segurança e verdadeiro valor para o doente.

Para o Presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, “O CRIAmb está a provar que reorganizar é melhorar. Em 2025 tivemos mais atividade, melhor aproveitamento da resposta cirúrgica e sinais claros de que este modelo está a gerar ganhos para os utentes e para o Serviço Nacional de Saúde, afirmando-se como uma aposta estratégica da ULS Médio Tejo”.

O Diretor do CRI de Cirurgia de Ambulatório, Miguel Reis, sublinha que “o novo modelo já está a produzir resultados e confirma o seu potencial, mas a ambição do CRIAmb vai muito além deste balanço. O que foi alcançado em 2025 dá-nos confiança para o futuro, sabendo que há ainda um caminho exigente pela frente para aumentar a capacidade de resposta, aprofundar a organização dos circuitos e reforçar a qualidade assistencial”.


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